Acredito que todas as pessoas acreditam em algo, algo que ainda não concluíram - mas acredito que pra você sair por aí falando sobre essas crenças e forçando-as goela abaixo dos outros, deve primeiro concluir. Mas não se enganem, não farei isso aqui. Acredito que religião nenhuma está certa. Acredito também que os crentes de tais religiões são a massa fraca dos seres humanos. Claro que falo dos mais extremos, aqueles que precisam de alguém pra ditar-lhes o que fazer da vida. Acredito que cerveja leva a cigarros acesos e alguém tem que fazer algo pra solucionar esse problema. Acredito que a única droga usável é a maconha e tenho meus motivos pra tal, dos quais discutirei talvez outro dia em um outro post. Acredito que quando falamos sobre as melhores coisas do mundo, sempre nos enganos. Não existe nada melhor que nada - hoje acho que o Sgt. Pepper's é o melhor álbum que já ouvi, mas ontem achava o Dark Side of the Moon. Amanhã, talvez, pensarei em outro. Acredito que viver uma vida trabalhadora não é nada feliz - passar horas e horas cuidando de assuntos que não tem nada a ver com a sua vida por um troquinho no final do mês é a mesma coisa que prostituição. Acredito também que temos que se adaptar ao mundo e não o contrário. Acredito que todos os seres humanos julgam as pessoas pela aparência e todo o resto é secundário. Acredito que falamos que acreditamos pois não temos coragem o suficiente de dizer logo que isso é a verdade absoluta. Acredito que nossa verdade absoluta é relativa e pobre.
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Escuridão
As pessoas são nada mais que extensões de nós mesmos. Se você acha que quando mais estiver sozinho alguém vai te fazer se sentir bem, se engana como um pássaro se engana ao voar contra um vidro transparente. As pessoas te fazem sentir bem quando você as faz sentir bem, se essa triste dança for de um só, será assim sempre. Tens que dar pra receber. Os presentes nunca são involuntários, nunca são sinceros. A vida em si não é sincera. Você nunca sabe o que esperar, nunca sabe o que pensar. O melhor a se fazer é aceitar que a vida não passa de um longo e cansativo jogo, onde precisamos conquistar pontos e reputações pra nos dar bem. Aceitar que não vivemos mais naquele conto de fadas em que acreditamos quando crianças éramos; aceitar que a verdade é nada mais que mentira disfarçada; aceitar que a bondade é a maldade profunda que nós alimentamos. Os amigos nada são, os amores nada são, a família nada é - o que é, não sabemos, talvez nunca saberemos. Mas assim vivemos, procurando repostas pras perguntas sem resposta. Procurando o nada no tudo. E, se de relance, encontrarmos o contrário, o tudo no nada, quem nos impede de usufruírmos de tal ilusão? Somos os remédios de nós mesmos. Somos a escuridão que se esconde atrás da grande luz. Somos então sós. E assim seremos, até que a morte nos separe.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Curtas notas sobre o amor
O amor é a droga dos rejeitados, dos esquecidos, dos impossibilitados. É algo que te consome quando você menos o quer, que te leva pra lugares mais escuros que o breu das florestas à noite, que faz você querer sempre mais e mais exatamente quando você menos o tem. A diferença é que, eventualmente, você se cansa do amor. Não o quer mais. Até desacredita que ele possa existir. Confunde amor com convivência. Talvez até conveniência. Mas, como as drogas mais pesadas, pode te derrubar por muito tempo, as vezes até pra sempre. Todos nós nascemos puros e apaixonados e terminamos sujos e solitários. Com o tempo vamos nos afastando cada vez mais uns dos outros até que não queremos mais nada nem ninguém - e também ninguém nem nada nos quer. É aí que encontramos qualquer um que serve e com esse qualquer um passamos o resto de nossas vidas ou pelo menos aqueles dez anos dos quais nunca mais queremos lembrar. Nesse vício frenético e desenfreado nos encontramos todos, e não há saída. Quando encontramos então aquele ser com o qual não queremos nunca mais nos distanciar, não podemos. Não nos deixam. Não conseguimos. Falhamos. Desistimos. A verdade é que todos nós um dia achamos que o amor não existe. Que é muito difícil alcançá-lo. Pra quem acredita na mentira, a verdade se torna irreal. Então a verdade é uma questão de ponto de vista. Mas uma coisa é certa: todos nós já sentimos amor pelo menos uma vez na vida. Isso ninguém pode negar. Só os hipócritas. E com eles nada quero.
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