domingo, 5 de dezembro de 2010

Cohen



Well i stepped into an avalanche,
It covered up my soul;
When i am not this hunchback that you see,
I sleep beneath the golden hill.
You who wish to conquer pain,
You must learn, learn to serve me well.

You strike my side by accident
As you go down for your gold.
The cripple here that you clothe and feed
Is neither starved nor cold;
He does not ask for your company,
Not at the centre, the centre of the world.

When i am on a pedestal,
You did not raise me there.
Your laws do not compel me
To kneel grotesque and bare.
I myself am the pedestal
For this ugly hump at which you stare.

You who wish to conquer pain,
You must learn what makes me kind;
The crumbs of love that you offer me,
They're the crumbs i've left behind.
Your pain is no credential here,
It's just the shadow, shadow of my wound.

I have begun to long for you,
I who have no greed;
I have begun to ask for you,
I who have no need.
You say you've gone away from me,
But i can feel you when you breathe.

Do not dress in those rags for me,
I know you are not poor;
You don't love me quite so fiercely now
When you know that you are not sure,
It is your turn, beloved,
It is your flesh that i wear

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nada acontece com nada

Eu lembro das minhas tardes no campo, quando era menor. Hoje passo dos meus setenta e o campo já não é mais tão natural quanto parecia. Hoje em dia é bem mais forçado do que deveria ser. Pois, naquela época, nada era forçado. As tardes no campo eram as melhores tardes que eu pude presenciar. Passava horas comendo maçãs embaixo da árvore e esperando algo acontecer. Nada acontecia. Nunca. Era incrível. Era como estar num paraíso onde o tempo parou e a noite é só uma desculpa pra se deitar. E tudo o que você é e vê é tudo o que sua vida será. Você corre pelos campos e o vento fresco em seus cabelos e a grama verde embaixo de seus pés e as árvores dançando e as nuvens fazendo caretas - e por onde você puder voar você voará e nada pode acontecer com as estrelas que nos olham lá de cima. Nada podia acontecer com nada. Eu me lembro daquelas tardes como se fossem as tardes de ontem. Como se fossem presença completa em minha vida. Respondendo sua pergunta: Gosto do campo.

Tédio

O tédio é um tipo estranho de dor. Ele pode descrever uma música, uma ação, uma data, um casamento, uma morte. Ele pode definir tudo o que fizer sentido. Ele é um tipo de dor que vem e as vezes não sai nunca mais. Um tipo de dor que bate num belo domingo num belo por-do-sol. Que,se não vem, significa que algo está errado. Que você não teme tanto pelo amanhã quanto deveria. Que esperar o tempo passar não é só o que quer fazer. Que você não quer ver a vida passar diante de você como naquele filme que você nunca viu. Braços ao alto. Um tipo de dor que te mantém são. A vida sem ele não teria tão graça. Sem ele, o tédio, claro. E você pensa que pode viver sem. Acha que pode sair por aí gastando rios de merda em dinheiro e mesmo assim vai ter a felicidade que tanto procura. Pura merda. Você sabe muito bem. Você conquista trezentos bilhões de dólares e aí só pensa mesmo nos próximos dois – você nem tem mais tempo pra viver a sua vida e, eventualmente, sentir tédio. Sentir a vontade de fazer algo e não poder. A vontade que faz você querer se matar mas que te mantém mais vivo que qualquer outra coisa no mundo. Você sabe que a vida é real quando sente tédio. Mas é uma merda. Uma grande e fedida merda.

A caverna

Certa vez tive esse sonho estranho. Um homem vivia num tipo de caverna digital, completamente sozinho. Não se sabe se por opção ou não. Não se sabe origem nenhuma. O ser nunca apareceu na história mundial. Ele tinha cabelos longos e uma longa barba e vestia nada além de uma bermuda. Seu rosto era troncudo e tão deformado quanto seu corpo - não muito, mas o suficiente pra fazê-lo sentir-se completamente diferente de todo o resto do mundo. Andava descalço por sua caverna. As vezes parava e encarava o lixo tentando imaginar o motivo de toda aquela sujeira – queria mesmo saber o que estava fazendo ali. Alguma música estranha tocava no player do computador. Eram gritadas palavras de liberdade e solidão, morte e loucura. Era algo dos anos setenta, definitivamente. Mas ele sabe que dentro de si uma música muito triste toca e nunca acaba – uma sinfonia eterna de solidão e dor. Ele tropeça na vida das pessoas por acidente. Ele busca o ouro mas só encontra as pedras – ele não pede por sua companhia, nem no centro do coração, nada mais existe. As leis humanas de nada valem, nem protesto, nem fé. Ele não é um pedestal. Ele não se colocou acima de um, também. Ele só existe. Anda de um lado pra outro em sua caverna e de vez em quando abre uma janela. Ela se fecha rapidamente. Todos os dias quando o sol se vai e as pessoas param de passar.

"Braçadas pro meio do nada"

"(...)

- Eu gosto de escolher. Preciso me interessar.
- Isso é tão piegas. O interesse já vem imbutido. Aí, se a gente cultiva bastante o interesse, quando menos espera está apaixonado.
- Tudo bem, que há de errado com o amor, Tony?
- O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
- Tudo bem, então devemos fazer o melhor possível.
- Certo. Mas mesmo assim devemos entender que o amor é só o resultado de um encontro casual. A maioria das pessoas explora isso demais. Nessa base, uma boa foda não é de se desprezar inteiramente.
- Mas também é o resultado de um encontro casual.
- Você está certa, porra. Beba. Vamos tomar outro."

Trecho de um conto do livro "Numa Fria" por Charles Bukowski.

O lado selvagem

Dizem que são loucos os que tem dupla personalidade, mas todos somos dois. Alguns chegam a ser até três ou quatro. Nossa vida é uma constante luta contra nós mesmos. E o meu segundo eu - ou primeiro? - é louco. Selvagem. Quer sair, fugir, gritar, se embebedar, ter experiências que ninguém nunca teve. O outro fica só de canto, observando, enquanto o louco toma conta e faz o que bem entender.

Mas não é sempre assim. O outro me mantém aqui, com os pés no chão e a cabeça no lugar. Me faz acreditar que se eu for correto um dia posso alcançar o que tanto busco. Me faz acreditar que se eu tirar esses pés do chão, posso voar pra muito longe e nunca mais voltar. E eu acredito nele. Pois não conheço o outro lado da vida. E, as vezes, é muito arriscado se deixar levar por seu lado selvagem e bruto. Pode acabar num lugar ruim. Talvez ruim seja uma palavra fraca demais pra descrever tal lugar. Talvez a palavra que descreva com perfeição nem exista ainda.

A luta fica cada dia mais difícil. Dia a dia, mês a mês, ano a ano. E regularmente o lado selvagem vence e faz o que bem entende. Sai pelas ruas bebendo o que pode. Certa vez fiquei extremamente bêbado no meio duma tarde de quarta-feira. Fui à praia e mergulhei com todas as forças numa água gelada e salgada. Do mar olhei as pessoas na praia, pequenas, insignificantes, e lembrei quando meu irmão disse que a vida lhe fez sentido naquele mesmo lugar, olhando aquelas mesmas pessoas.

Mas pra mim não fez tanto sentido assim. São só pessoas, é só o mar, é só uma sensação. As vezes, as coisas são mais simples do que parecem ser. E complicar tudo é dificultar tudo. Então eu voltei pra casa e vomitei meu lado selvagem na privada.

sábado, 4 de setembro de 2010

Nothingness


The story of man
Makes me sick
Inside, outside,
I don't know why
Something so conditional
And all talk
Should hurt me so.

I am hurt
I am scared
I want to live
I want to die
I don't know
Where to turn
In the Void
And when
To cut
Out

For no Church told me
No Guru holds me
No advice
Just stone
Of New York
And on the cafeteria
We hear
The saxophone
O dead Ruby
Died of Shot
In Thirty Two,
Sounding like old times
And de bombed
Empty decapitated
Murder by the clock.

And I see Shadows
Dancing into Doom
In love, holding
TIght the lovely asses
Of the little girls
In love with sex
Showing themselves
In white undergarments
At elevated windows
Hoping for the Worst.

I can't take it
Anymore
If I can't hold
My little behind
To me in my room

Then it's goodbye
Sangsara
For me
Besides
Girls aren't as good
As they look
And Samadhi
Is better
Than you think
When it starts in
Hitting your head
In with Buzz
Of glittergold
Heaven's Angels
Wailing

Saying

We've been waiting for you
Since Morning, Jack
Why were you so long
Dallying in the sooty room?
This transcendental Brilliance
Is the better part
(of Nothingness
I sing)

Okay.
Quit.
Mad.
Stop.

- Bowery Blues, Jack Kerouac.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Prelúdio

"the flesh covers the bone
and they put a mind
in there and
sometimes a soul,
and the women break
vases against the walls
and the men drink too
much
and nobody finds the
one
but keep
looking
crawling in and out
of beds.
flesh covers
the bone and the
flesh searches
for more than
flesh.

there's no chance
at all:
we are all trapped
by a singular
fate.

nobody ever finds
the one.

the city dumps fill
the junkyards fill
the madhouses fill
the hospitals fill
the graveyards fill

nothing else
fills."

Alone with everybody, Charles Bukowski.

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