"Tive que me isolar pra aprender a viver sozinho. Pra aprender a não mais ser dependente de qualquer afeição demonstrada por outro ser. Tive que trancar a porta e as janelas do meu quarto sujo no canto da cidade pra que ninguém me encontrasse. e ninguém me encontrou. Bem como previ, fiquei completamente sozinho por sete longos meses. a barba e o cabelo já pareciam de algum mendigo qualquer da avenida paulista. Só o que me restava era o dinheiro que me deram quando larguei meu emprego. Quando larguei meu emprego pra me isolar. E, desse dinheiro, setenta por cento foi gasto em alteradores. Vodca, uísque, cerveja, cigarros, maconha, cocaína - tudo da pior qualidade possível, pra eu poder comprar mais e mais. E por sete meses, senti na pele o que é a falta de viver. De sair, de se encontrar, de namorar, de trabalhar e, principalmente, de estar sóbrio. E posso dizer - com todo o sentimento necessário e a involução envolvida - que nunca estive melhor. Não depender de ninguém emocionalmente, nunca. Essa era a minha meta inicial. E ela foi brilhantemente cumprida.
Assim como a loucura, a isolação vicia. As pessoas lá fora fazem do mundo um lugar horrível. Feio, fedido, incômodo, estranho, incorrigível. Único em todo seu horror. O fedor me dá náuseas. As pessoas também."
Nenhum comentário:
Postar um comentário