O tédio é um tipo estranho de dor. Ele pode descrever uma música, uma ação, uma data, um casamento, uma morte. Ele pode definir tudo o que fizer sentido. Ele é um tipo de dor que vem e as vezes não sai nunca mais. Um tipo de dor que bate num belo domingo num belo por-do-sol. Que,se não vem, significa que algo está errado. Que você não teme tanto pelo amanhã quanto deveria. Que esperar o tempo passar não é só o que quer fazer. Que você não quer ver a vida passar diante de você como naquele filme que você nunca viu. Braços ao alto. Um tipo de dor que te mantém são. A vida sem ele não teria tão graça. Sem ele, o tédio, claro. E você pensa que pode viver sem. Acha que pode sair por aí gastando rios de merda em dinheiro e mesmo assim vai ter a felicidade que tanto procura. Pura merda. Você sabe muito bem. Você conquista trezentos bilhões de dólares e aí só pensa mesmo nos próximos dois – você nem tem mais tempo pra viver a sua vida e, eventualmente, sentir tédio. Sentir a vontade de fazer algo e não poder. A vontade que faz você querer se matar mas que te mantém mais vivo que qualquer outra coisa no mundo. Você sabe que a vida é real quando sente tédio. Mas é uma merda. Uma grande e fedida merda.
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