quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A caverna

Certa vez tive esse sonho estranho. Um homem vivia num tipo de caverna digital, completamente sozinho. Não se sabe se por opção ou não. Não se sabe origem nenhuma. O ser nunca apareceu na história mundial. Ele tinha cabelos longos e uma longa barba e vestia nada além de uma bermuda. Seu rosto era troncudo e tão deformado quanto seu corpo - não muito, mas o suficiente pra fazê-lo sentir-se completamente diferente de todo o resto do mundo. Andava descalço por sua caverna. As vezes parava e encarava o lixo tentando imaginar o motivo de toda aquela sujeira – queria mesmo saber o que estava fazendo ali. Alguma música estranha tocava no player do computador. Eram gritadas palavras de liberdade e solidão, morte e loucura. Era algo dos anos setenta, definitivamente. Mas ele sabe que dentro de si uma música muito triste toca e nunca acaba – uma sinfonia eterna de solidão e dor. Ele tropeça na vida das pessoas por acidente. Ele busca o ouro mas só encontra as pedras – ele não pede por sua companhia, nem no centro do coração, nada mais existe. As leis humanas de nada valem, nem protesto, nem fé. Ele não é um pedestal. Ele não se colocou acima de um, também. Ele só existe. Anda de um lado pra outro em sua caverna e de vez em quando abre uma janela. Ela se fecha rapidamente. Todos os dias quando o sol se vai e as pessoas param de passar.

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