Já estavam naquele quarto sujo de hotel de beira de estrada há mais ou menos três horas e nenhum dos dois tinha criado a coragem de se sentar na cama. Disputavam o pouco de cerveja que restava. O boteco da frente já havia fechado. E mesmo que estivesse aberto, não sobrava dinheiro pra mais. Sofie sentava numa ponta da mesa com um violão no colo e um cigarro aceso na boca. Saul tomava seu copo de cerveja, tranquilamente, enquanto assistia. Algum blues era arriscado nas cordas vibrantes do violão. Uma voz mal tratada por quarenta anos de tabaco e álcool arriscava junto uns versos de gente com história e dores que nenhum dos dois podia aguentar, nem o próprio que as sofrera, nem a que ainda não tem história o suficiente pra ter sofrido metade.
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